SCHILLER ELITE BASS FLUTE

Olá, amigos flautistas!

VOLTEI!

E com uma ótima notícia.

Para aqueles que acharam meio “salgados” os preços  dos últimos modelos de flauta baixo que postei, trago uma boa novidade. Navegando na internet, encontrei a Elite Bass Flute, que pelo visto, tem tudo pra ser um instrumento “perfeito”, ou, pelo menos, no que diz respeito ao bolso… O fabricante é Schiller, uma marca alemã, muito embora o instrumento seja fabricado em Xangai, na China. A princípio, isto pareceria “bucha”, contudo segundo as informações que tenho, o instrumento não é “ruim” em seus aspectos sonoros, e as opiniões nesse sentido podem confirmar isso. [Veja os comentários em http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20090905145958AAKYGgN ]. No site da Schiller, estão disponíveis maiores detalhes sobre o instrumento [em inglês, em http://www.schillerinstruments.com/flutes/elite-bass-flute ], mas para aqueles que tiverem dificuldade com a língua, já adiantamos que FELIZMENTE –  OBA! :) –  a flauta POSSUI chaves de trinado, além da alavanca de Si b, bem incomum numa flauta baixo! Você pode adquirir o instrumento em www.jimlaabsmusic.com por US$ 985 + US$ 57 de taxa de importação [Dados garantidos, informados diretamente a mim pelo revendedor, em 30 de maio de 2011]. Boa compra!

 

 

Schiller Elite Bass Flute, por US$ 985 + US$ 57 de taxa de importação!

DEDILHADOS PARA FLAUTA BAIXO

A flauta baixo, como os demais modelos, possui dedilhados alternativos para algumas notas, a fim de evitar sua quebra durante a execução. Além do mais, como já foi dito, o som dela é uma oitava mais grave do que está escrito na pauta. Tendo em vista isso, elaborei um esquema com esses dedilhados opcionais e a correspondência sonora real para cada nota com o objetivo de facilitar a leitura e mostrar ao executante qual nota na verdade ele está tocando. Seguem as tabelas neste link: DEDILHADOS PARA FLAUTA BAIXO.

Links dos Fabricantes

A.D. Geoffrey – Guo Brothers Flutemakers
Akiyama
Altus
Australian Flute/Recorder Makers
Robert Bigio
Brannen
Burkart/Phelan
Casey Burns
David Chu
Dean Yang
Emanuel
Emerson flutes and piccolos
Alexander Eppler
Eva Kingma
Folkers & Powell
Gemeinhardt
Haynes Flutes
Heartsong Flutes
Landell
Lunn
Terry McGee
Miyazawa
Muramatsu
Native American and Irish Flutes
Parmenon Flutes
Pearl
Peter Noy Flutes
Powell
Sankyo
Selmer
Shakuhachi
Straubinger Flutes
Sweetheart Flute Company
Tom Green
Tsunami Flutes
Williams Flutes, Inc.
Wind’s Song Flutes Native American flutes
Yamaha

Dicas e links para adquirir uma flauta baixo

Ao adquirir uma flauta baixo, deve-se prestar atenção à tonalidade das notas ré4 , e dó#4 que precisam ser “naturais” e com uma pronúncia “clara”, além de observar se o mi4 não “racha” ou desafina facilmente. É imprescindível ainda a aquisição de um modelo com chaves de trilo ou trinado de ré e ré# (D and D# trill keys, em inglês), pois são elas que nos permitem estabilizar a afinação das notas do registro médio da flauta baixo (dó4 até dó5), como o já mencionado mi4.

Atualmente, alguns excelentes modelos, como a Júpiter 523S ou a brasileira Hoyden HFL50B, infelizmente ainda não possuem trill keys, e flautas baixo sem chaves de trinado são, numa comparação um tanto exagerada, o mesmo que violinos sem a corda mi.

Quanto à escolha dos modelos, aconselho àqueles que são novos à flauta baixo a adquirirem uma Di Zhao DZB, que além de ser uma das mais em conta no mercado (pouco mais de $2.100), conta com trill keys e foi recomendada a mim pela flautista especializada em flautas graves Dra. Christine Potter. Em seu site http://www.altoflute.net/html/articles.html há outros modelos entre os recomendados para quem já tem alguma familiaridade com o instrumento.

Você pode adquirir uma flauta baixo dos sites:

www.fluteworld.com

www.flute4u.com

Boa sorte!

Modelos

Atualmente existem pelo menos dois modelos conhecidos de flauta baixo, um mais tradicional, que continua a ser segurado na posição horizontal, e outro que lembra muito aquele albisifone já mencionado anteriormente, que é tocado na posição vertical. Aqui vão eles:

 

A primeira é uma Yamaha YFL-B441, feita em prata e laqueada, certamente um dos modelos mais caros do mercado hoje (quase $7.000), só perdendo para seu conterrâneo japonês, o fabricante Kotato & Fukushima, que vende suas flautas baixo por mais de S12.000. A segunda é uma Jupiter DiMedici 1125ES “vertical”, cujo vídeo de demonstração está no YouTube, em http://www.youtube.com/watch?v=-MsgrOyBMRA. Ela custa aproximadamente $5.000.

O Instrumento

A flauta baixo nada mais é do que um modelo com exatamente o dobro do comprimento (aprox. 134 a 146 cm, dependendo do modelo) e diâmetro (2,9 cm) da flauta convencional em dó e uma peça de embocadura ou cabeça em formato curvo, cuja finalidade, como já afirmamos anteriormente, é aproximar as chaves ao alcance das mãos do flautista. Mas apesar de toda a semelhança com o modelo padrão, ela possui algumas particularidades, começando, é claro com a afinação: o instrumento é uma oitava mais grave do que sua irmã soprano. Isto quer dizer que possui uma extensão sonora que vai de dó3 (segundo espaço da clave de fá) até aproximadamente dó6/dó#6 (segunda linha suplementar superior à clave de sol). Flautistas já com uma maior carga de exercícios práticos conseguem aumentar essa extensão, mas geralmente notas escritas acima de lá6 não são utilizadas nas partituras. Também, como a maioria dos fabricantes não conseguem “afunilar” o instrumento na curva da embocadura, notas acima de ré6 tendem a soar sustenizadas.

Flauta baixo: extensão

A segunda e creio que mais importante singularidade deste membro da família das flautas é exatamente quanto à embocadura. Na flauta baixo, as notas mais graves são realmente “baixas”, no sentido sonoro do termo, e não existe uma prática “natural” para fazer subir sua altura, para tocar “mais alto”. Desta forma, todo cuidado na hora da execução é pouco, pois tentar elevar a intensidade de som poderá causar primariamente dois efeitos: pronunciar as notas na oitava superior ou desafinar. É por isso que têm sido comumente empregados microfones e amplificadores junto à embocadura, o que ajuda a dar maior ênfase à sonoridade do instrumento.

Num terceiro momento, a flauta baixo é um dos membros mais problemáticos da família das flautas e veremos o porquê. Ela possui alguns desencontros quanto à nomenclatura versus a sua extensão sonora. Basta dizer que na primeira metade do século XX, o termo “flauta baixo” era usado para designar o que hoje conhecemos por flauta alto, principalmente na Grã Bretanha, como, por exemplo, na composição Os Planetas de Gustav Holst, que se referia a uma parte para a “flauta baixo em sol”.  Neste mesmo sentido, a confusão nominal do instrumento acontece quando adicionamos outro modelo ao conjunto, a flauta baixo em fá, porém afinada em sol…  E por fim, para emaranhar ainda mais nossa mente, de repente nos damos conta que a extensão da flauta baixo em dó é na verdade não a de um baixo, mas a de um tenor!

Após termos essa noção, certamente a pergunta mais óbvia seria: “Por que diabos então o instrumento chama-se flauta baixo?” para a qual temos duas respostas, uma tomando por base a extensão dos instrumentos para nomeá-los de acordo com as vozes e outra não considerando essa hipótese. A primeira: porque as flautas são instrumentos que podem tocar numa oitava superior a que está escrita na pauta, portanto ela realiza um “baixo transportado”. E a segunda resposta: não há explicação plausível, isso é uma mera convenção, decidiram chamá-lo assim e pronto. E assim acontece também com outras famílias de instrumentos, como a do clarinete e do saxofone. Se fôssemos seguir a noção de nomenclatura quanto à extensão sonora de um instrumento, um sax alto deveria ser chamado de tenor, já que, independente de sua afinação, se em dó, sib ou mib,  ele alcança perfeitamente até uma oitava inferior a que está afinado. Por exemplo, um sax alto afinado em mib, chega até dó#3 (nota real). Estas contradições de nomenclatura certamente ainda darão muito que falar aos especialistas dos estudos acústicos, e, portanto, como ainda não temos um nome “adequado” para cada instrumento da família, elaborei um esquema demonstrando os vários nomes pelos quais cada um é conhecido, sua extensão real e a possível/provável voz que representam, disponível neste link: A FAMÍLIA DAS FLAUTAS.

Da mesma forma que a flauta convencional em dó, o modelo baixo também conta com flautas com pé em si, aumentando a extensão do instrumento para si2. Porém, por motivos acústicos e por causa do aumento no comprimento do tubo, flautistas conceituados ainda preferem flautas com pé em dó. Como é de praxe (e já estamos cansados de saber) diz-se que aqueles centímetros a mais no pé da flauta aumentam a resistência acústica, tornam mais lenta a resposta das notas e menos “clara”, menos “ressonante” e não tão “natural” a sua pronúncia, além de deixá-la um tanto mais “pesada” para segurar.

Flautas baixo com pé em si permitem baixar o som até si2

Abaixo, um exemplo de flauta baixo com pé em si, a japonesa Pearl PFB305BE:

A FLAUTA BAIXO TRANSVERSAL

Pequeno Histórico

A flauta baixo transversal é um instrumento relativamente novo na contemporaneidade. Theobald Boehm (1794-1881), o renomado “engenheiro de flautas” e pai do sistema mecânico que hoje faz parte da maioria delas (e que, inclusive,  ganhou o seu nome) foi um dos se não o primeiro a tentar criar um instrumento assim, porém sem sucesso. Isso, pela dificuldade em combinar o comprimento do tubo – a fim de dar os tons mais graves – com a posição do músico, o qual, para fazer jus ao nome do instrumento, devia segurá-lo na posição horizontal, “atravessado” defronte ao corpo (daí o nome, flauta “transversa” ou “transversal”, com alusão ao termo italiano traverso).

Mas então, algum iluminado indivíduo teve a idéia de adaptar o instrumento às necessidades humanas, e não o contrário, como estava sendo feito. Assim, dois séculos atrás, surgiu a peça de embocadura curva, que aproximava o corpo do instrumento ao alcance das mãos do flautista, dissolvendo-se assim o empecilho inicial na construção de um modelo baixo.

O albisifone, uma flauta de metal com o sistema Boehm inventada por Abelardo Albisi, de Milão, Itália, em 1910, é um exemplo da flauta baixo em seus primórdios, e embora o instrumento fosse segurado verticalmente, já contava com uma peça de embocadura curva, como nos afirma o Dicionário de Música de Harvard (RANDEL, p. 31). O diâmetro de seu tubo, tal como é a flauta baixo hoje, era consideravelmente maior do que o dos outros modelos da época, e o instrumento contava com um suporte para um tirante, a fim de o executante poder segurá-lo com mais estabilidade na posição vertical (HENRIQUE, p. 254).

O físico especializado em acústica, flautista amador e colecionador de flautas Dayton C. Miller (1866-1941) tocando um albisifone, em 1922, cuja nota mais grave era o fá3, três linhas abaixo da clave de sol. Foto extraída de ttp://memory.loc.gov/ammem/dcmhtml/phot.html

A difusão da flauta baixo ocorreu à medida do desenvolvimento do jazz e do rock, conforme nos explica o nova-iorquino Robert Dick (1950), conceituado flautista da atualidade, especializado em técnicas “estendidas” na flauta transversal moderna. Em um vídeo no site http://www.artistshousemusic.org/videos/bass+flute, ele fala sobre a evolução da flauta baixo e faz demonstrações da extensão e das possibilidades de técnicas estendidas desse instrumento, como o tão comentado e interessantíssimo beatboxing, e outros efeitos que podem ser obtidos, como a percussão a partir do clique das chaves, ou da união da voz e do beatboxing enquanto se executa o instrumento. Segundo Robert Dick:

“Bem, a flauta baixo é um instrumento relativamente novo no mundo. Existiram alguns modelos prematuros no Barroco, mas durante o período em que a flauta-mãe foi se desenvolvendo, acredito que a primeira flauta baixo [tal como ela é hoje] foi criada nos anos de 1930 ou 1940 por algum sujeito dos músicos de Hollywood [...] e agora temos a flauta baixo [...] Sabe, há uma grande tradição em cantar enquanto se toca a flauta, que também remonta, quem sabe, a lugares em que existem tradições africanas da flauta, particularmente no oeste da África, onde eles nunca tocam sem cantar junto. É como costumam fazer. E, sem dúvida, isso se tornou famoso no jazz, com Rahsann [Roland Kirk]¹, e famoso no rock, com Ian Anderson [...]”

Referências:

HENRIQUE, Luís L. Instrumentos Musicais. 4 ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, 481 pp.

RANDEL, Don Michael. The Harvard Dictionary of Music. 4th ed. Library of Congress Cataloging-in-Publication Data, printed in the United States, 2003, p. 31. In: http://books.google.com.br

Demonstração e história da evolução da flauta baixo por Robert Dick (vídeo em inglês em http://www.artistshousemusic.org/videos/bass+flute)

¹ Agradecimentos a Sérgio Aires por esclarecer o nome correto do músico em questão.